Sunday, September 15, 2013


O Cristão como Mentor Espiritual
by Paulo Macena

            A idéia de um mentor, aparentemente veio da Odisséia de Homero, onde o Rei Odisseu (rei grego que lutou na guerra de Tróia) deixou Mentor para cuidar do seu filho Telemacos. Quando o rei retornou, 21 anos depois, ele encontrou que o jovem princípe tinha se tornado um competente lider e um homem de integridade, moldado pelo exemplo, direção e sabedoria de Mentor.[1] Mentor ajudou ao jovem príncipe a desenvolver qualidades e habilidades que seriam impossíveis de terem sido desenvolvidas senão com a ajuda e direção de alguém experiente.
 Um mentor é aquele que possui experiência e conhecimento em alguma
área e passa estes recursos - sabedoria, informação, experiência, valor, visão - para o mentoree - pessoa que esta sendo treinada. [2]
            Como Cristãos, somos chamados pelo Rei, Jesus Cristo, a sermos mentores espirituais de nossos semelhantes. Ao termos recebidos as boas notícias do evangelho, temos então a responsabilidade de compartilhar aquilo que sabemos.
            O Apóstolo Pedro disse: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”.[3]
            O mentor espiritual, é aquele que primeiramente experimenta os benefícios do evangelho. É aquele que andou nas trevas, mas que agora comparte a luz que o tirou das trevas. Não há como sermos mentores espirituais sem primeiro termos recebido, aceitado e experimentado Jesus Cristo em nossas vidas.
            Jesus foi um mentor de seus discípulos. Ao Ele fazer o convite: “Segue-me, e eu os farei pescadores de homens”[4], Jesus os estava convidando a andarem com Ele e a experimentarem, de primeira mão, o que significava andar com Deus. Seu objetivo era que os discípulos aprendessem com Ele através de Suas experiências diárias: o comportamento de um verdadeiro cristão no trabalho, com os amigos, nas festas, nas pressões, nas lutas, nas tentações, no meio das tempestades, e ao enfrentarem os demônios. Jesus queria que eles experimentassem e aprendessem a viver os desafios diários com o Mestre. Então, após 3 anos de preparo, Jesus os comissiona à fazerem o mesmo: serem mentores e passarem aos outros a experiência e conhecimento que eles tinham.
 Este é o trabalho de um mentor espiritual. Quando temos uma experência com o Mestre, somos chamados a levar isso adiante: aos amigos, familiares, vizinhos e colegas de trabalhos.
            Ser um Mentor Espiritual é participar do ministério do paracleto – que significa “aquele que é chamado ao lado de”[5]- com parceria ao ministério do Paracleto - o Espírito Santo. Ou seja, é o ministério “daquele que é chamado ao lado de”, para outorgar poder, ouvir, amar, e iluminar, assim como o Espírito Santo está ao nosso lado fazendo o Seu trabalho.[6]
            O mundo precisa de mentores. Olhe ao seu redor, e você perceberá que as pessoas precisam de alguém que os ajudem a encontrarem soluções para os problemas em que vivem, pois “não somos chamados à fazermos esta jornada sozinhos”.[7]
            Diariamente temos a oportunidade de conhecermos a verdade e de termos uma experiência pessoal com Deus, mas assim como uma lâmpada escondida em baixo da cama, ou como sal ínsipido, não tem utilidade, [8] um cristão que não compartilha o que Cristo tem feito em sua vida,  é um cristão infrutífero e inútil para os que estão ao seu redor.
Ellen diz que “cada verdade importante que é recebida no coração deve ser expressa na vida”.[9] Por isso, ser um mentor espiritual não é esperar sentir o desejo de ajudar e guiar os que estão ao seu redor, mas sim um dever. Aceitarmos o convite de Cristo para sermos mentores é um dever que não pode ser passado à outros, uma  responsabilidade que não pode ser menosprezada.

Benefícios de Sermos Mentores
Contam em uma velha fábula chinesa que o filho único de uma mulher morreu. Em meio a dor da perda, ela foi ao encontro de um velho sábio da aldeia e disse: “Quais as orações ou encantamentos que você tem para trazer meu filho de volta?” No lugar de mandar a mulher embora ou discutir com ela o sábio simplesmente replicou: “Me traga um grão de mostarda de um lar que nunca teve sofrimento. Nós usaremos esta semente para tirar a dor de seu coração.” A mulher saiu sem esperar mais um minuto em busca do grão de mostarda mágico. Primeiramente ela bateu na porta de uma mansão e disse: “Eu estou à procura de um lar que nunca teve sofrimento. Eu estou no lugar certo?” Mas eles responderam: “Certamente você veio no lugar errado,”e começaram a descrever todas as coisas trágicas que aconteceram em suas vidas. Então a mulher pensou: “Quem melhor do que eu para ajudar esses coitados, pois bem sei o que eles estão passando.” Depois de ter oferecido seu conforto e apoio ela continuou sua busca por um lar que jamais havia sofrido. Mas em todo lugar que ia e a cada porta que batia, encontrava outra história de tristeza e dor. Aquela mulher se envolveu tanto em ajudar nos problemas de outras pessoas que acabou por esquecer da sua busca pelo grão de mostarda mágico, sem perceber que a semente inexistente, na verdade, tinha arrancado a dor de seu próprio coração.
O Apóstolo Paulo diz que Deus nos ajuda em todas as nossas aflições para podermos ajudar aos outros.[10] A experiência nos fortalece. O conhecimento da verdade é mundial, mas nossa experiência com Jesus é única e especial. Somos chamados a sermos mentores espirituais mesmo em meio às dificuldades ou quando nos achamos fracos, por que ao sermos mentores para outros somos revestidos de poder do verdadeiro Paracleto para ajudar, dirigir, amar, iluminar e acalentar os corações dos que estão ainda mais fracos que nós ou dos que precisam da luz que recebemos. Por isso, seja um Mentor Espiritual.



[1] Gary R. Collins, P.H.D., Christian Coaching, pg. 17
[2] Stanley and Clinton, Connecting, pg. 40
[3] I Pedro 2:9
[4] Mateus 4:19, 20
[5] Dicionário Harper da Bíblia, edição de 1985, pg. 749
[6] Anderson and Reese, Spiritual Mentoring, pg. 50
[7] Idem, pg. 18
[8] Mateus 5:13-16
[9] RH, February 19, 1889 par. 9
[10] II Coríntios 1:3-5